Promoção e Realização:
Curso de Psicologia do UNIPÊ
Clínica-Escola de Psicologia do UNIPÊ
Núcleo de Psicologia Jurídica
Psicólogos Autônomos da Clínica-Escola
Arte:
Psicólogo Antonio Martins Junior
Público Alvo: Psicólogos, Advogados, Assistentes Sociais e demais interessados.
TABELA DE INVESTIMENTO:
PROFISSIONAL ESTUDANTE DE GRADUAÇÃO
2 kg de alimento (Feijão e Arroz)
+ R$ 20,00 2 kg de alimento (Feijão e Arroz)
+ R$ 10,00
Informações e Inscrições: Clínica-Escola de Psicologia do UNIPÊ
Bloco Q – Sala 109 – 83.21069305
* A carga horária do evento será revertida em horas para atividades complementares dos cursos de Psicologia e Direito do UNIPÊ.
Apoio:
Advogado: Wilson Sales Belchior
Data: 19 de Maio (Quarta-Feira)
Horário: das 13h às 22h
Local: Auditório do Espaço Cultural UNIPÊ
João Pessoa - PB
Programação:
13h – Credenciamento
13h25min – Abertura
13h30min – Apresentação do Núcleo de Psicologia Jurídica do UNIPÊ
Palestrante: Ms. Elvira Daniel Rezende (Psicóloga CRP: 13/2158)
13h45min – Apresentação do Estágio Supervisionado em Psicologia Jurídica na Prática da Adoção – UNIPÊ
Palestrantes: Haline Barreto; Iamma Gadelha; Luana Amaro; Silvana Lacerda; Suellany Rafhaela; Tamiris Brasileiro e Laís Loureiro
(Alunas do Estágio Supervisonado)
14h – O outro lado da adoção
Palestrante: Ms. Ivana Suely P. B. de Mello (Psicóloga CRP: 13/1477)
14h40min – Atuação do Poder Judiciário da Paraíba: Estratégias e Estatísticas - (CEJA – Comissão Estadual Judiciária da Adoção)
Palestrante: Dra. Antonieta Lúcia Maroja Arcoverde Nóbrega
(Juíza Corregedora e Secretária do CEJA)
15h20min – Mesa: Nova Lei da Adoção: Aspectos Jurídicos e Psicológicos
Coordenador: Dr. Odon Bezerra Cavalcanti Sobrinho
(Presidente da OAB-PB)
Palestrantes: Dr. Fabiano Moura de Moura
(Juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude - PB)
Dra. Ivone de Barros Vita
(Psicanalista CRP:13/1579)
Dra. Soraya Escorel
(Promotora de Justiça – Ministério Público-PB)
17h – O Trabalho do Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de João Pessoa (GEAD-JP)
Palestrantes: Marinalva Brandão (Médica psiquiatra e fundadora do GEAD-JP)
Maria Luisa Nóbrega (Presidente do GEAD-JP e mãe por adoção)
Lenilde Cordeiro (Vice-Presidente do GEAD-JP e mãe por adoção)
17h40min – COFFEE-BREAK
18h – Mesa: Aspectos Psicossociais da Adoção: Algumas Reflexões
Coordenador: Esp. Mônica Domingos Bandeira (Psicóloga CRP:13/2600)
Palestrantes: Maria Lígia de A. Gouveia (Doutora em Psicologia CRP: 13/4676)
Christina Gladys de M. Nogueira (Mestre em Antropologia)
19h – Relato de Caso: “Experiência pessoal de adoção”
Palestrante: Dra. Takato Watanabe
19h30min – O Papel do Conselho Tutelar no Processo de Adoção
Palestrante: Sandra Rodrigues da Santos Lima (Coordenadora Geral do Conselho Tutelar Região Sudeste – JP)
20h – Adoção por e para casais homoafetivos
Palestrante: Raquel Moraes (Jurista e Psicóloga CRP: 13/3794)
20h40min – Apresentação da Pesquisa: Adoção de crianças por casais homoafetivos: percepção de psicólogos e profissionais do Direito.
Palestrante: Isabella Dias dos Reis (Graduanda em Psicologia – UNIPÊ)
João Bezerra de Morais Segundo (Graduando em Psicologia – UNIPÊ)
21h – “Quando os filhos não correspondem às expectativas dos pais”.
Palestrante: Dra. Lenita Faissal (Psicóloga CRP:13/0085)
21h40min –
PARTICIPEM!!!
INFORMAÇÕES NO UNIPÊ
Angelina Silveira de Menezes - Psicopedagoga / Coordenadora Pedagógica. Atendimentos João Pessoa - Centro e em Campina Grande. Contatos e-mail (angelinasmenezes@gmail.com) e telefone (8832-6151 / 9149-2354 / 9909-6775).
sexta-feira, 30 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Falar bem em público se aprende na escola
Seminário, debate e entrevista são conteúdos curriculares. Para que todos aprendam a tomar a palavra, é essencial orientar a pesquisa, discutir bons modelos, refletir sobre simulações e indicar formas de registro
Quem não apresenta suas ideias com clareza ou defende mal seus argumentos diante um grupo enfrenta problemas tanto na sala de aula como na vida profissional. A escola, no entanto, não tem se dedicado à questão como deve. Embora o ensino da língua oral esteja previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) há mais de uma década, essa prática está longe de ser prioridade. Ela é confundida com atividades de leitura em voz alta e conversas informais, que não preparam para os contextos de comunicação.
"Comunicar-se em diferentes contextos é questão de inclusão social, e é papel da escola ensinar isso", explica Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. O que todo professor precisa incluir em seu planejamento são os chamados gêneros orais formais e públicos, que têm características próprias, pois exigem preparação e apresentam uma estrutura específica.
A língua oral está organizada em gêneros (entrevistas, debates, seminários e depoimentos) e o empenho do professor nas aulas deve ser o mesmo dado aos gêneros escritos (contos, fábulas, crônicas, notícias e outros). Assim como não há um texto escrito sem propósito comunicativo, tampouco existe uma só maneira de falar. É preciso criar contextos de produção também para os gêneros do oral - em que se determinam quem é o público, o que será dito e como. "É isso que permite aos alunos se apropriarem das noções, das técnicas e dos instrumentos necessários ao desenvolvimento de suas capacidades de expressão em situações de comunicação", explica Bernard Schneuwly, da Universidade de Genebra, na Suíça, no livro Gêneros Orais e Escritos na Escola.
A diferença entre a língua falada e a língua escrita é uma questão antiga. Até a década de 1980, elas eram consideradas opostas. Enquanto a primeira aparecia como incompleta e imprecisa, a segunda simbolizava formalismo e planejamento. Os debates recentes apontam para um caminho bem diferente. "O oral e o escrito têm pontos de contato maiores ou menores, conforme o gênero", defende Roxane Rojo, docente de pós-graduação em Linguística Aplicada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
É necessário, portanto, ensinar a preparação de situações de comunicação oral com base num planejamento que requer quatro condições didáticas: orientação da pesquisa, discussão de modelos, análise de simulações ou ensaios e indicação de formas de registro. Veja nas páginas seguintes como desenvolvê-las na produção de entrevistas, seminários e debates.
Reportagem sugerida por três leitoras: Salma Marinho Rodrigues, de Bela Vista do Maranhão, MA, Edneia Dias da Rosa, de São Paulo, SP, e Juliana Maria do Rosário, de São Paulo, SP
=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====
=== PARTE 4 ====
=== PARTE 5 ====
=== PARTE 6 ====
=== PARTE 7 ====
Continue lendo
* Seminário
* Na produção do seminário, o registro tem destaque
* Entrevista
* Analisar modelos é um meio de aprender a entrevistar
* Debate
* Ao fazer a pesquisa, a turma se prepara para o debate
NOVA ESCOLA - MARÇO 2010
Seminário, debate e entrevista são conteúdos curriculares. Para que todos aprendam a tomar a palavra, é essencial orientar a pesquisa, discutir bons modelos, refletir sobre simulações e indicar formas de registro
Quem não apresenta suas ideias com clareza ou defende mal seus argumentos diante um grupo enfrenta problemas tanto na sala de aula como na vida profissional. A escola, no entanto, não tem se dedicado à questão como deve. Embora o ensino da língua oral esteja previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) há mais de uma década, essa prática está longe de ser prioridade. Ela é confundida com atividades de leitura em voz alta e conversas informais, que não preparam para os contextos de comunicação.
"Comunicar-se em diferentes contextos é questão de inclusão social, e é papel da escola ensinar isso", explica Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. O que todo professor precisa incluir em seu planejamento são os chamados gêneros orais formais e públicos, que têm características próprias, pois exigem preparação e apresentam uma estrutura específica.
A língua oral está organizada em gêneros (entrevistas, debates, seminários e depoimentos) e o empenho do professor nas aulas deve ser o mesmo dado aos gêneros escritos (contos, fábulas, crônicas, notícias e outros). Assim como não há um texto escrito sem propósito comunicativo, tampouco existe uma só maneira de falar. É preciso criar contextos de produção também para os gêneros do oral - em que se determinam quem é o público, o que será dito e como. "É isso que permite aos alunos se apropriarem das noções, das técnicas e dos instrumentos necessários ao desenvolvimento de suas capacidades de expressão em situações de comunicação", explica Bernard Schneuwly, da Universidade de Genebra, na Suíça, no livro Gêneros Orais e Escritos na Escola.
A diferença entre a língua falada e a língua escrita é uma questão antiga. Até a década de 1980, elas eram consideradas opostas. Enquanto a primeira aparecia como incompleta e imprecisa, a segunda simbolizava formalismo e planejamento. Os debates recentes apontam para um caminho bem diferente. "O oral e o escrito têm pontos de contato maiores ou menores, conforme o gênero", defende Roxane Rojo, docente de pós-graduação em Linguística Aplicada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
É necessário, portanto, ensinar a preparação de situações de comunicação oral com base num planejamento que requer quatro condições didáticas: orientação da pesquisa, discussão de modelos, análise de simulações ou ensaios e indicação de formas de registro. Veja nas páginas seguintes como desenvolvê-las na produção de entrevistas, seminários e debates.
Reportagem sugerida por três leitoras: Salma Marinho Rodrigues, de Bela Vista do Maranhão, MA, Edneia Dias da Rosa, de São Paulo, SP, e Juliana Maria do Rosário, de São Paulo, SP
=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====
=== PARTE 4 ====
=== PARTE 5 ====
=== PARTE 6 ====
=== PARTE 7 ====
Continue lendo
* Seminário
* Na produção do seminário, o registro tem destaque
* Entrevista
* Analisar modelos é um meio de aprender a entrevistar
* Debate
* Ao fazer a pesquisa, a turma se prepara para o debate
NOVA ESCOLA - MARÇO 2010
TDAH
O que é o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH)
Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção.
Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno
À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Ma¬u¬ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian¬ça frequenta. Por tudo isso, nun¬¬ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno.
1. Agitação não é hiperatividade
Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa.
2. Só o médico dá o diagnóstico
Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 - nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade.
3. Nem todos precisam de remédio
Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartz¬wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los.
4. O diálogo com a família é essencial
Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat.
5. O professor pode ajudar (e muito)
Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.
Reportagem sugerida por 25 leitores
Criança e Adolescente
Comportamento
Edição 231 | Abril 2010 - Nova Escola
Quer saber mais?
CONTATO
Mauro Muszkat
BIBLIOGRAFIA
No Mundo da Lua, Paulo Mattos, 182 págs., Ed. Leitura Médica, tel. (11) 3266-5739 begin_of_the_skype_highlighting (11) 3266-5739 end_of_the_skype_highlighting, 34 reais
Transtorno de Déficit de Atenção, José Salomão Schwartzman, 127 págs., Ed. Memnon, tel. (11) 5575-8444 begin_of_the_skype_highlighting (11) 5575-8444 end_of_the_skype_highlighting, 36 reais
INTERNET
Palestras online para educadores sobre o TDAH.
Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção.
Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno
À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Ma¬u¬ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian¬ça frequenta. Por tudo isso, nun¬¬ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno.
1. Agitação não é hiperatividade
Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa.
2. Só o médico dá o diagnóstico
Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 - nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade.
3. Nem todos precisam de remédio
Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartz¬wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los.
4. O diálogo com a família é essencial
Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat.
5. O professor pode ajudar (e muito)
Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.
Reportagem sugerida por 25 leitores
Criança e Adolescente
Comportamento
Edição 231 | Abril 2010 - Nova Escola
Quer saber mais?
CONTATO
Mauro Muszkat
BIBLIOGRAFIA
No Mundo da Lua, Paulo Mattos, 182 págs., Ed. Leitura Médica, tel. (11) 3266-5739 begin_of_the_skype_highlighting (11) 3266-5739 end_of_the_skype_highlighting, 34 reais
Transtorno de Déficit de Atenção, José Salomão Schwartzman, 127 págs., Ed. Memnon, tel. (11) 5575-8444 begin_of_the_skype_highlighting (11) 5575-8444 end_of_the_skype_highlighting, 36 reais
INTERNET
Palestras online para educadores sobre o TDAH.
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